Istambul-Bucareste: Inês Amaral no meio de correios de droga

Tenho medo de andar de avião. Para uma pessoa que quer correr mundo inteiro não é um medo nada saudável (ou conveniente). Por isso, quando decidi ir à Roménia na Páscoa de 2015 a partir de Istambul escolhi que iria de autocarro até lá e não de avião. Afinal eram só 8 ou 9 horas de viagem e isso para quem vive na Turquia é para meninos.

Foi uma decisão parva, mas deu uma história muito gira para contar que fica aqui:

No dia da partida, cheguei à estação de autocarros internacionais de Istambul, que parece uma favela e lá encontrei o operador de viagem. Até aí tudo ok. O autocarro foi enchendo (só romenos) e às 15 ou 16 partimos (só sei que a hora de partida não era a que dizia no bilhete, mas isso é normal). O pessoal do autocarro parecia a família do Cristiano Ronaldo antes de ter dinheiro, era permitido fumar dentro do autocarro e passado meia hora, 3 mulheres decidiram fazer um escabeche porque queriam ir à casa de banho e queriam que autocarro parasse no meio da auto-estrada para irem à casa de banho no meio do mato. E assim foi! O que é a segurança rodoviária quando se tem a bexiga cheia…

Lá seguimos viagem. Nada parecia muito estranho, sem ser a quantidade de sacos e malas que todos eles transportavam nos confins do autocarro, mas emigrante que é emigrante leva sempre a casa às costas.

E paramos na fronteira com a Bulgária e sai tudo do autocarro para controlo de passaporte. Quando a senhora do controlo viu o meu passaporte português olhou para mim com um ar “mas como é que esta veio aqui parar”, mas lá passámos todos e essa parte acabou rapidamente. Depois, mandaram o nosso autocarro estacionar num género de armazém gigantesco onde três polícias começaram a revistar o autocarro. Foi a revista mais aldrabada que já vi. Abriram umas caixas e tal, pareciam dizer “têm que abrir isto” mas depois o condutor dizia que não havia nada e que era difícil de abrir e eles desistiam (isto sou eu a interpretar turco e romeno).

Nada encontrado, seguimos Bulgária adentro já com mais de uma hora de atraso. Passámos a Bulgária toda, e só posso dizer que tem muito campo! Até que chegámos à fronteira com a Roménia. Outra vez a história dos passaportes, desta vez mais simples e novamente nos mandam parar e a polícia começa a revistar o autocarro. Revistam, revistam, discutem com o motorista, fazem muitos gestos e depois de meia hora disto o motorista e o polícia vão para uma casinha às escuras durante uns 5 ou 10 minutos. Portanto, assumindo que uns momentos a sós com um motorista gordo, feio e turco não é suborno suficiente para um polícia, acho que houve troca de pilim, dentro daquela casinha na fronteira.

E ala que se faz tarde, entramos na Roménia com quilos de ilegalidades atrás. E se até aqui achavam que isto não era nada de mais e que podia ser só a minha imaginação a funcionar, vem a melhor parte e o momento em que pensei “queres ver que eles ainda me vão matar para que não haja testemunhas?”. Passados 10 minutos depois da fronteira, paramos numa estação de serviço. Do autocarro saem 3 pessoas cheias de sacos que parecem muito pesados e procedem a carregar dois carros sem matrículas e vidros escuros que desaparecem em poucos segundos com o pessoal e material que saiu do autocarro.

E pronto, passado menos de uma hora estava em Bucareste, sã e salva nos braços das minhas amigas. A minha amiga Romena mal podia acreditar nesta história, mas fartou-se de rir, porque lá no fundo sabe que isto é o pão nosso de cada dia.

Quando vires nalgum lado que a Turquia é a porta da droga para a Europa, já sabes porquê 😉

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