Ayutthaya: sol, suor, escaldões e muita história

A visita a Ayutthaya foi, até agora, um dos dias da minha viagem que mais gostei. Uma mistura de peripécias e acontecimentos fizeram-me perceber que estou mesmo numa aventura sozinha pelo sudoeste asiático.

Tudo começou com uma ida meio improvisada de comboio. Sabia que havia comboios às 17 e 17.30 mas não tinha feito nenhuma reserva e por isso não sabia se me davam bilhete. Chego ao balcão e sim senhora, pedem-me 15 bht (cerca de 50 cêntimos) para uma viagem que demora 2 horas. Rapidamente percebo que os bilhetes para a terceira classe são como o metro de Lisboa: não há um total máximo de lugares, vai cabendo. Felizmente entrei na estação inicial e fui sentada o caminho todo.

 

Ao chegar a Ayutthaya meto-me num barquinho que atravessa o rio num minuto por 5bht (o último é às 7.30 Pm) e depois de uns 20 minutos a andar chego ao meu hostel. A rapariga da recepção parecia querer muito que eu arranjasse companhia para ir aos sítios e dizia que era perigoso andar por ali à noite sozinha. Mas eu estava a morrer de fome e havia um mercado nocturno com comida à minha espera. Apesar da cidade ser bastante calma e vazia de noite nunca me senti minimamente insegura. 

Já no mercado encontrei um belo Pad Thaí por 40 bht (na verdade fui perguntar a uns turistas de onde é que vinha a comida deles) e voltei em segurança e inteira para o meu hostel.

Na manhã seguinte andei a ver se alguém no hostel ia ver as ruínas mas como estava tudo de partida e também eram um bocado monos decidi armar-me em mulher independente, alugar uma bicicleta (50 bht por dia, ou seja, cerca de euro e meio) e fazer-me à estrada. Quando chego ao primeiro templo reparo que o meu cadeado não funciona e toca de voltar ao hostel para trocar. Bom começo!

Na bilheteira do primeiro templo está um rapaz atrás de mim cuja nota que tem na mão para pagar a entrada vai ser o meu troco. Parece um bom momento para meter conversa não é? E assim foi, descobri que era Alemão ( estão por todo o lado) e, como estávamos os dois a passear por ali sozinhos, acabamos por “juntar esforços” e passar o dia todo juntos. Na verdade foi uma grande sorte para mim porque ele basicamente fez de gps e polícia sinaleiro o dia todo enquanto me chamava de avózinha devido às minhas fracas capacidades de condução de bicicleta.

E o dia em Ayutthaya seguiu mais ou menos nestes termos:

Wat Mahatthat

Situado no centro de Ayutthaya este templo é um dos mais famosos por causa da cabeça de Buda envolvida por uma árvore centenária. Isto aconteceu porque, aquando da invasão birmanesa, toda a cidade foi saqueada e destruída e as cabeças dos budas cortadas. Eventualmente a natureza tratou do assunto e hoje este templo é um dos mais famosos por causa disso.

O Wat Mahatthat é um bom ponto de partida para o teu dia em Ayutthaya e recomendo-te que vás bem cedinho. Entrada: 50bht

Wat Ratchaburana

Mesmo ao lado do Wat Mahatthat surge este templo cujo nome se traduz para “the temple of royal restoration”. Foi construído por um rei como memorial para os seus dois irmãos que morreram num combate um contra o outro naquele mesmo lugar.

Apesar de não ser um templo particularmente conhecido gostei imenso de subir ao topo da estrutura principal, que foi recentemente restaurada, para ver a cidade do topo e levar com um arzinho fresco. Entrada: 50 bht

Wat Phra Si Sanphet 

Considerado como o templo mais sagrado e bonito da cidade, este Wat é imperdível. Hoje só restam os três Chedis que foram reconstruídos uma vez que todo o templo foi destruído no passado. Entrada: 50bht

Ao pé do Wat Sanphet existe um mercado que lá no meio tem um restaurantezinho onde a comida não é nada má.

Depois de almoço seguimos para um templo mais longe e claro que tinha que haver uma subida para me atazanar a vida. Armei-me em forte e comecei a pedalar que nem uma louca para conseguir subir aquilo de bicicleta (mais para provar ao alemão que não era assim tão fracota). E lá vai a Inês toda lançada até que a meio da subida oiço um trrrraaaac e a bicicleta deixa de funcionar. Belo. O alemão já nem o via porque ia muito mais à frente e eu estou no meio do nada, não havia literalmente nada à volta se não 3 senhores à sombra de umas árvores (tipo alentejanos). Claro que pensei, bem isto foi a corrente e eu certamente consigo voltar a metê-la no sítio. Pois bem, fui para a sombra e passado um minuto os senhores devem ter pensado “coitada” e vieram em meu auxílio. Claramente eram melhores que eu naquilo porque em dois minutos puseram-me a bicicleta a funcionar e depois de muitos koh pun ka lá me fui embora. Um minuto depois encontrei o alemão novamente e tudo voltou à normalidade!

Wat Lokkayasutharam

Este não se pode considerar propriamente um templo. Consiste num Buda reclinado gigantesco e a entrada é gratuita.

Wat Chaiwattanaram 

Este templo é conhecido pela sua vista espectacular sobre o por do sol e por ser mais fotogénico a essa hora do dia. Infelizmente foi impossível para mim visitá-lo a essa hora, mas mesmo assim não deixou de ser um dos templos mais impressionantes que vi na cidade. Entrada: 50bht.

Wat Phanan Choeng

And now for something completly different, este é um templo ainda no activo e com uma arquitectura muito diferente dos restantes. Foi uma dor de cabeça encontrar o sítio com o barco que nos levava à outra margem mas depois de perguntarmos aqui e ali lá encontramos.

Dentro do templo há um Buda gigante (eles adoram budas gigantes) de 19 metros que foi originalmente construido no século XIV e entretanto redtaurado várias vezes. Quando chegámos estava a decorrer um ritual religioso muito interessante. No início todas as pessoas tinham na mão um tabuleiro com um género de lençol laranja dobrado em cima. Entretanto demos a volta ao buda e quando voltamos havia homens (que trabalham no templo) a pegar nos tabuleiros, atirar o lençóis que tinha em cima para cima do Buda e a recolher as doações de cada pessoa. À medida que os lençóis iam sendo tirados para cima do Buda, iam sendo presos a uma corda que ia sendo puxada “vestindo” assim o Buda. No fim o tecido foi empurrado para cima das pessoas que rezavam, envolvendo-as a todas no ritual.

Entrada:grátis

Dicas rápidas:

Bilhetes para os templos: Existe a opção de comprar ou um bilhete por templo (50 bht) ou um bilhete que inclui 6 templos (220 bht). O segundo soa muito mais proveitoso mas na verdade, durante um dia só fizemos 6 templos e dois deles não eram pagos. Por isso, informa-te primeiro se vale a pena ou não para os templos que queres ver porque se não podes sempre poupar 20bht – dá para um Pad Thaí em Chiang Mai.

Transporte: existem quatro formas de ver Ayutthaya: bicicleta, tuk tuk, a pé ou de scooter. A bicicleta é provavelmente a forma mais prática e eficaz uma vez que a cidade é bastante grande para andar a pé (pelo menos para fazer todos os templos “principais”. Tem o inconveniente do cansaço e calor, mas é barato e sempre fazes exercício. Apesar de calminha, lembra-te que estás na Tailândia e que convém ter sempre cuidado com o trânsito. Se estiveres com mais pessoas, pode ser boa ideia alugar um tuk  tuk + guia já que é uma forma mais rápida e menos quente de ver a cidade e em princípio tens alguém que te vai explicando a história do local.

Sobreviver ao calor: apesar de ter falhado miseravelmente neste ponto, aprendi umas coisas que vale a pena partilhar:

– começa cedo: a maioria dos templos abre pelas 8 da manhã e a essa hora ainda não está calor.

– das 12 às 15 refugia-te num restaurante ou no teu hostel. Eu ia fazer isto mas o alemão trocou-me as voltas!

– bebe muita água, compra um chapéu e põe protector constantemente (principalmente se a tua cor se assemelhar a cal como a minha)

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