Chiang Mai e o paraíso dos hippies

Aconselho a qualquer pessoa que queria ir para Chiang Mai a optar por ir de comboio. É tão confortável! São cerca de 14 horas de Bangkok e 12 de Ayutthaya mas as camas são óptimas e a paisagem no norte ao acordar também. Convém marcar com alguma antecedência pelo site 12goasia porque os bilhetes esgotam (segunda classe com ar condicionado).

Para ser sincera, no início Chiang Mai desapontou-me um bocadinho. Pareceu-me uma cidade feia, sem muito interesse e não percebi onde estava o charme que fazia com que tantas pessoas tivessem escolhido este local como a sua nova casa (Chiang mai está cheio de pessoas que trabalham digitalmente). Mas quatro dias depois acho que cheguei lá 🙂

  • Chiang Mai, a cidade

Chiang Mai é o paraíso para os viajantes que têm um budget apertado, como eu! A comida é perversamente barata e deliciosa, há mercados por todos os lados, as massagens mais baratas da Tailândia… É brilhante. Aqui vai uma pequena lista de sítios “obrigatórios” numa visita a Chiang Mai.

Chiang Mai Women’s prision massage

Eu sei que o nome é muito estranho, mas este centro de massagens emprega mulheres tailandesas que estão na prisão a cumprir a sua sentença e ao mesmo tempo aprendem a fazer massagens para quando saírem de lá conseguirem encontrar um trabalho e reintegrarem-se na sociedade mais facilmente.
Uma massagem tailandesa de uma hora custa 200 bht (cerca de 6 euros) e é uma massagem que combina todas umas skills de yoga, alongamentos e potencialmente fisioterapia! Dói um bocadinho, mas sabe bem.

Devido à popularidade do sítio, convém ir cedo (até às 12) porque esgota rapidamente. Eles têm uma rede de spas que emprega as mulheres que já saíram da prisão e indicam sempre esses sítios quando já não têm mais vagas.

Apesar de achar que a ideia é brilhante tenho um bocado de medo que as massagistas estejam a ser exploradas, porque pelo que vi não existem propriamente pausas, mas espero que o projecto em si seja uma mais valia e que consigam restabelecer a sua vida depois de saírem da prisão.

Andando um minuto para cima na mesma rua está este restaurante com um aspecto terrível mas com o melhor Pad Thai que já comi (e comi no mínimo uns 10)

Templos

Wat Chedi Luang Worawihan

Este templo enorme e peculiar situa-se no centro de Chiang Mai e é um dos mais famosos da cidade. Demorou quase 150 anos a ser construído (com muitas paragens pelo meio) e foi inicialmente concebido para receber as cinzas de um rei. A entrada custa 40 bht e dá-te acesso aos vários templos dentro do complexo. Mesmo ao lado deste templo está o Wat Phan Tao que é gratuito e também vale muito a pena

Wat Chiang Man
A primeira coisa que me chamou à atenção neste templo foi uma árvore em flor lindíssima que espalhava um certo sentimento de serenidade naquele jardim. O jardim, a estrutura com elefantes e o templo em si formam um conjunto muito interessante de visitar. Entrada gratuita. 

Mercados
Supermercados na Tailândia são raros, mas mercados há para dar e vender. Acho que no total fui a 4 sendo que cada um tem algo diferente para oferecer. Aqui ficam as melhores (ou mais deliciosas) fotos em cada um:

Talat Somphet Market

Mais no fim do mercado está uma banquinha que vende sopas. Esta é de porco com dumplings acabados de fazer. Divinal. 40bht

Night Bazar

Eu a comer novamente… O mercado noturno é bastante grande com dois lados da estrada completamente cheios de bancas a vender um bocadinho de tudo. A meio existe este “food court” com montes de opções. Também existe um outro muito western com comida de todo o mundo mas mais caro.

Warorot Market

Este é um mercado mais local e fora do centro. Concentra um montão de bancas com ingredientes completamente desconhecidos e outros infelizmente conhecidos como as minhocas abaixo!

Sunday Market

Infelizmente não tenho fotos deste mercado mas é gigantesco (ocupa várias ruas completas) e é uma confusão porque toda a gente lá vai. A comida é ainda mais barata que o normal – Pad Thai por 20 bht – e tem tudo. Vai com tempo e paciência porque o ritmo de andamento é lento!

  • Santuários de elefantes

Infelizmente, nascer-se elefante não é uma das melhores coisas que podem acontecer na Tailândia. Apesar destes animais parecerem ser considerados sagrados devido à quantidade de vezes que a sua figura aparece em templos, há muitos anos que são usados como meio de transporte e “mão de obra” pelos tailandeses. Hoje em dia, são usados para entretenimento turístico e pode-se ver em todo o lado anúncios a passeios de elefante.

Apesar disto parecer muito engraçado, não é. Os elefantes não são animais domésticos e são torturados para aprenderem a transportar turistas. Acorrentados, espicaçados com objectos afiados e cortantes e obrigados a carregar pesos muito acima das suas capacidades estes elefantes não são mais do que escravos nas mãos dos seus donos (sim, porque é legal ter um elefante na Tailândia).

Por isso, a primeira mensagem que quero passar é: não andes de elefante. Se não houver procura, não haverá oferta e o turismo na Tailândia anda todo à volta do “o que é que o turista quer”. Por isso, a mudança começa por aí.

Deste problema começaram a surgir os ditos santuários de elefantes. Sítios que resgatam elefantes que estão a ser usados e maltratados e que os reabilitam, em esperança de, um dia, os poderem devolver à natureza.

Apesar deste conceito não ser igual à liberdade, ao menos aqui os elefantes não são torturados nem maltratados e não estão acorrentados. Se é bom para os elefantes ter que lidar com pessoas todos os dias que vêm ver e mexer neles? Muito sinceramente não sei, mas parece-me que se os santuários não fossem abertos ao público nunca sobreviveriam devido à falta de fundos (é que uma coisinha daquelas come mais de 100 kg por dia!)

No início estava bastante receosa porque escolhi um santuário mais pequeno do que os dois mais famosos e quando chegamos os elefantes estavam atrás de uma cerca e fiquei logo com medo que não se pudessem mexer de lá. Depois lá percebi que era o primeiro contacto e que antes de poderem andar por ali livremente connosco tinham que se habituar a nós.

A experiência de estar perto dos elefantes, dar-lhes comida (a tromba é tão fofinhaa!! <3), aprender mais sobre eles e dar-lhes banho é maravilhosa e eles até parecem gostar. Claro que depois da quantidade de cana de açúcar e bananas que lhes demos tinham que gostar de nós 🙂 Felizmente nunca os vi acorrentados e depois do banho (eles só ficam até lhes apetecer) foram sozinhos para a vegetação ali ao pé comer mais um bocadinho.
Por isso, se te interessa o contacto com os elefantes, esta é certamente a maneira mais ética de o fazer. Os sítios mais famosos são: elephant nature park, elephant jungle park e eu escolhi a Chiang Mai T.U.M travel que faz metade do dia num pequeno santuário (só 5 elefantes) e o resto do dia trekking e tubbing (adorei!!!). O preço foi o que pesou mais na minha decisão:1800 bht.

  • Aula de cozinha

Nunca pensei vir a gostar tanto da comida tailandesa! Tem uma mistura de sabores super intensa e equilibrada. Por isso, e porque adoro cozinhar, decidi inscrever-me numa aula de cozinha para aprender as bases e alguns segredos dos pratos deliciosos que tenho comido.

Acho que para qualquer pessoa que goste de cozinhar, Chiang Mai é o sítio para o fazer. Só tenho pena que os ingredientes sejam tão “estranhos” mas nada que uma visita ao Martim Moniz não resolva 😉

Aprendi a fazer Pad Thai, Spring Rolls e Papaya Salad (que não tem papaia??), Pasta de caril vermelho – com malaguetas vermelhas, o caril verde é feito com malaguetas verdes – Khaw Soi, um caril tailandês e sopa de côco. E a sobremesa: sticky rice com manga. Deilicía-te:

Escola: Asia Scenic; Preço: 1000 bht das 9 às 15. 

Para a próxima: Pai e Chiang Rai. Não tive tempo de visitar nenhum deles com muita pena minha, por isso se estiveres no norte e quiseres mais sítios para descobrir, estas são as minhas recomendações.

Dicas rápidas:

Alojamento: o meu hostel era tão fixe que foi a inspiração do título para este post. Fiquei quatro noites no Mapping Hostel numa “tenda”. Basicamente é um colchão com uma rede de mosquitos em cima, um tecto e uma cortina de cada lado. Dormes ao ar livre, mas na Tailândia muitas vezes é mais confortável do que dormir num dormitório. O preço é completamente ridículo – 2.6€ por noite – e o ambiente é do caraças. O hostel fica um bocadinho fora do centro mas é super fácil de andar até lá. À noite o pessoal reúne-se nas cabaninhas de bambu para falar, beber cerveja, tocar guitarra e claro fumar erva (e eu que pensava que era muito ilegal na Tailândia…). Mesmo que não seja muito a tua cena (a minha não é) adorei conhecer pessoas com filosofias de vida completamente diferentes da minha e posso dizer que aprendi imenso durante aqueles dias. Só tens que ir com uma mente aberta 🙂


Transporte para o aeroporto: está na altura de louvar a tecnologia. Pelo que percebi os preços da ida para o aeroporto estão um bocado inflacionários pela procura. Por isso faz download da aplicação Grab e Uber e o preço provavelmente será mais razoável. Paguei 195bht do meu hostel até ao aeroporto e no hostel dizia que um táxi para lá seriam 250bht, por isso vale a pena.

Água: tal como em Bangkok existem aqueles contentores que dão um litro e meio de água por 1bht. É bom para poupar na carteira e no ambiente. Podes sempre perguntar no teu hostel qual é o ponto mais próximo.

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