Nova Zelândia num mês: de Norte a Sul, de Este a Oeste

De todos os países que visitei na vida, e já lá vão uns 30 e tal, a Nova Zelândia foi aquele onde vi as paisagens mais arrebatadoras. É fascinante como um país tão pequeno consegue ter tanto para dar. De montanhas, glaciares e fiordes na ilha Sul a vulcões, géiseres e dunas na ilha Norte, é impossível não se ficar perdidamente apaixonado por este cantinho no outro lado do Mundo.

Este foi o único país que visitei de carro porque a minha amiga da faculdade, Mariana, mudou-se para Christchurch há uns meses e alinhou nesta aventura comigo. Nós as duas mais o Ronaldo! Foram 28 dias, 4500 km, várias noites dormidas no carro, em casa de amigos de amigos e couchsurfing. Muitas refeições vegan cozinhadas num fogão a gás, dezenas de caminhadas (uma delas deu-me dores durante dias!) e companheiros de viagem inesperados.

Por isso, ao contrário dos meus outros posts, este roteiro está feito de acordo com a nossa experiência a viajar com um carro.
E desde já peço desculpa pela quantidade de vezes que vou usar adjectivos como “lindo, maravilhoso, fantástico…” mas é fácil esgotar elogios quando se escreve sobre a Nova Zelândia.

Itinerário para um mês na Nova Zelândia

Christchurch: 2 dias

Christchurch é uma cidade a levantar-se dos escombros. Em 2011 um terramoto de 6.3 atingiu a cidade e deitou tudo por terra. Ainda hoje os trabalhos de reconstrução perduram. No entanto existem várias razões para visitar Christchurch: os jardins botânicos e o Hagley Park são bonitos, existem imensos pontos de arte urbana, um Container Mall (centro comercial feito de contentores) e uma caminhada de 3 horas com vistas fantásticas chamada The Bridle Path Walk.

Começámos em Christchurch por duas razões:

  • É onde a Mariana está a viver e podíamos preparar a viagem nas calmas. Acabei por ficar mais do que 2 dias, mas se estiveres só numa de conhecer a cidade e as redondezas acho que é o suficiente. Nós fomos a Salvation Army Stores (lojas de material em segunda mão), passámos alguns dias na cozinha e nas compras e o pai da Mariana a arranjar o Ronaldo.
  • Como começámos no início de Maio achámos melhor fazer o Sul primeiro (onde o tempo fica frio mais cedo) e terminar no Norte (que tem um clima mais temperado).

Lake Tekapo: 1 dia

O Lago Tekapo foi primeiro ponto oficial da nossa viagem. Entre uma caminhada até a um miradouro com uma vista panorâmica sobre o lago e a noite mais fria da minha vida, não podíamos ter escolhido uma forma mais intensa de começar a nossa viagem. Mais detalhes aqui!

O Lago Tekapo também é muito famosos pelos seus céus nocturnos, mas nós tínhamos tanto frio nesta noite que não nos atrevemos a sair do carro!

Christchurch – Lake Tekapo: 3 horas

Mount Cook: 1 dia

Depois de ultrapassarmos um nevoeiro serrado que nos levou a perguntar “será que vamos ver o Mount Cook?!” passámos uma manhã soalheira no Hooker Valley Trail numa caminhada de 3 horas que te leva pelas melhores paisagens que a montanha mais alta da Nova Zelândia tem para oferecer. Com mais algumas paragens para fotos na estrada que acompanha o Lake Pukaki seguimos até Dunedin onde íamos ficar duas noites.

Lake Pukaki

Mount Cook – Dunedin: 7 horas

Dunedin e Caitlins: 2 ou 3 dias

Infelizmente não tivemos tempo para ir às Caitlins, mas não posso deixar de recomendar porque toda a gente diz que é uma zona linda, cheia de cascatas e vida selvagem. Nugget Point, Purakauni Falls e Cathedral Caves são alguns dos pontos altos.

Em Dunedin passámos um dia (e meio) em cheio! De vida selvagem vimos muito pouco, mas as paisagens que descobrimos compensaram. Principalmente a Tunnel Beach ao pôr do sol! Aqui ficam as minhas 6 sugestões:

Taiaroa Head – vimos um pinguim bebé a nadar no mar!
Victory Beach & The Pyramids

Cape Saunders
Hoopers Inlet
Tunnel Beach ao pôr do Sol

Street art
Estação de comboios de Dunedin

Em Dunedin fizemos Couchsurfing com uma Kiwi (neo-zelandesa) super querida: médica, adora subir montanhas (como todos os kiwis) e muito bem-disposta!

Milford Sound: 1 dia

De Dunedin a Milford Sound são cerca de 6 horas de caminho, por isso reserva no mínimo meio dia para esta viagem. Quando finalmente chegámos ao hostel já era noite e atropelámos um possum! Desgraças à parte, Milford Sound é uma das paisagens mais famosas e bonitas da Nova Zelândia e a viagem de barco pelos fiordes é inevitável. Se quiseres mais sobre a formação destes gigantes e dicas sobre a viagem de barco, clica aqui!

Milford Sound – Queenstown: 4 horas

Queenstown e Wanaka: 2 dias

A quantidade de dias para Queenstown depende muito do teu budget e gosto por adrenalina. Como eu não tinha nenhum dos dois, contentei-me com uma caminhada pela Queenstown Hill para ver esta vista maravilhosa!

Já em Wanaka tive de ultrapassar a dor e o cansaço na caminhada mais difícil da minha vida, mas ao menos no topo a vista é esta:

Mais detalhes sobre Queenstown aqui e sobre Wanaka aqui.

Queenstown – Wanaka: 1 hora; paragem recomendada em Arrowtown.

Fox Glacier: 1 dia

O Salvador Sobral ganha a Eurovisão e eu vou celebrar de helicóptero para um glaciar. Fina não sou?!  Anyway, a experiência de sobrevoar um glaciar e caminhar sobre e dentro dele é uma das minhas melhores recordações na Nova Zelândia. Se estiveres pela zona, aproveita e dá um saltinho ao Lake Matheson, vale muito a pena!


A minha aventura sobre o gelo está aqui.

Wanaka – Fox Glacier: 3.5 horas

West Coast: 1 dia na estrada

Passámos a Costa Oeste um bocadinho a correr porque em breve tínhamos que estar a atravessar de ferry para a ilha Norte. Mesmo assim tivemos tempo de fazer algumas paragens pelo caminho e estas foram as highlights:

Hokitika: é uma vila simpática, com supermercados e restaurantes caso precises de parar durante um tempo. Se tiveres oportunidade recomendo fazeres a caminhada de Hokitika Gorge, a mais famosa da zona.

Punakaiki: conhecida pelas suas Pancake Rocks e Blowholes, esta micro caminhada leva-te por maravilhas geológicas que durante muitos anos (e ainda hoje) surpreendem os cientistas devido à sua curiosa formação.

Tauranga Bay Seal Colony: se gostas de focas, este é o sítio onde vais querer parar. De um ponto de vista privilegiado vais poder observá-las no seu habitat natural a brincar umas com as outras.

Nelson – Abel Tansman: 2 dias

Apesar da chuva e de uma viagem de barco que quase nos fez sair o coração pela boca, o Parque Abel Tasman é um dos sítios mais famosos da Nova Zelândia, especialmente no Verão por causa das suas praias, oportunidades para fazer desportos aquáticos e ver golfinhos. Nós, para além da chuva, vimos muitos arco-íris, cascatas e ficámos com os sapatos molhados durante uma semana!

Fox Glacier – Nelson: 6.5 horas

Wellington: 1 ou 2 dias

Ao escrever este post apercebi-me que tenho muito poucas fotos de Wellington apesar de ter sido a cidade da Nova Zelândia que mais gostei e a única onde me imaginaria a viver. Talvez tenha causado uma impressão tão forte em mim por ter adorado as pessoas que lá conheci. Pode-se dizer que “amigos de amigos são os melhores amigos”!
Tivemos a sorte de sermos acolhidas na casa de um amigo de um amigo meu francês que tinha estudado 1 ano na Nova Zelândia. Confuso? Um pouco, mas o Jack (amigo do amigo) e todos os habitantes daquela casa foram tão queridos connosco que tenho as melhores recordações possíveis desta cidade.

Para visitar recomendo o museu Te Papa (gratuito) sobre a história da Nova Zelândia desde a altura em que era uma capoeira a seu aberto (só existiam aves na NZ) até à chegada dos Maoiri e Ingleses. Para os apaixonados por cinema recomendo os Weta Studios e uma voltinha pelo Mount Victoria, Oriental Bay e pelo centro “histórico” que conta com vários mercados de comida como o Capital Market e montes de bares e restaurantes.

Trabalho incrível realizado pelos Weta Studios e presente no museu Te Papa numa exibição sobre a 1ª Guerra Mundial e os soldados Anzac

Taupo e Tongariro Crossing: 2 dias

Conhecida por ser a casa do Tongariro Crossing, Taupo não tem só a melhor caminhada da Nova Zelândia para oferecer. Lagos, barragens e outras caminhadas (claro) também estão na lista. Como não queríamos fazer nenhuma caminhada arrebatadora no dia antes do Crossing ficámo-nos pelo percurso até à Huka Falls que começa numas termas naturais de água quente (recomenda-se um mergulho :p) e acaba na cascata Huka, um rio com uma força incrível e uma cor de água linda. Também podes ver a barragem Aratiatia Power Station a abrir-se e a mudar a paisagem à sua volta em 5 minutos.

Estrada até Taupo
No caminho para Huka Falls
Barragem a esvaziar
Huka Falls

Quanto ao Tongariro Crossing, dediquei-lhe um post gigante e muito completo que podes ver aqui!

Alojamento: não me canso de recomendar o maravilhoso Tiki Lodge.

Hamilton e Rotorua: 2 dias

Enquanto éramos acolhidas por duas portuguesas com um coração de ouro visitámos tudo o que Hamilton tem de melhor. Hobbiton, Wai-O-Tapu e Black Water Rafting são uma machadinha no orçamento, mas cada sítio tem o seu encanto e valeu a pena apertar o cinto noutras coisas para vivê-los.

Bag End ❤
Wai-O-Tapu
As minhoquinhas luminosas

Rotorua e Hamurana Springs em detalhe aqui e Hobbiton e Black Water Rafting aqui.

Auckland: 1 dia

Ganhei mais uma família, desta vez em Auckland. Fui adoptada pelos tios e primo da Mariana que me trataram como uma princesa (estou a ficar muito mal habituada). Em Auckland passeámos pelo centro, visitámos a Auckland Art Gallery (que é gratuita) e fomos ver um jogo de rugby – momento da minha vida do qual o meu pai se orgulha mais. Auckland também tem uma free walking tour.

Se estiveres a pensar ver um jogo de rugby na Nova Zelândia podes comprar os bilhetes online, na Ticket Master, mas aconselho-te a fazê-lo num computador uma vez que a versão mobile do site não parece ter opção de compra para pessoas que não vivam na NZ. No fim do jogo, se quiseres um autógrafo ou uma foto com os jogadores é possível. Podes ir até aos lugares juntos ao relvado e eles costumam andar por lá a cumprimentar as pessoas.


Bay of Islands & Cape Reigna: 4 ou 5 dias

Por fim, os últimos dias desta aventura na Nova Zelândia foram passados a dormir no carro, a comer arroz e sopas de pacote e a contar cêntimos mas, também, a ver sítios fantásticos ou não estivéssemos nós na NZ. Conduzimos até ao Cape Reinga, o ponto mais a Norte do país, e pelo caminho descobrimos praias desertas, mais caminhadas de sonho e uma espécie de deserto do Sahara onde rebolámos pelas dunas. Tudo sobre os nossos últimos dias na Northland aqui!


Espero que este post te tenha inspirado a visitar este país inacreditavelmente bonito e com tanto (mas TANTO) para oferecer. Só tive pena de não ter tido tempo para ir a Coromandel, também no Norte e perto de Auckland, mas teve de ser sacrificado.

Mais dicas sobre modos de transporte, alojamento e coisas práticas neste post.

Boas viagens e Kia Ora!

3 Comments Add yours

    1. inesamaral diz:

      Obrigada Dulce! 🙂

      Gostar

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