Japão em três semanas: um pouco de tudo!

A minha viagem pelo Japão é capaz de ter sido a minha viagem menos planeada de sempre. Porquê? Por que comprei o voo de Manila para Tóquio 5 dias antes da viagem em si. Como tal, a minha viagem foi acontecendo e foi sendo planeada consoante os conselhos das pessoas que fui conhecendo.

Acho que acabei por não me sair muito mal, vi imensos sítios, trabalhei em troca de comida e alojamento, fiz couchsurfing e até fui à praia! Este país é surpreendente em todos os sentidos. A comida é maravilhosa, uma das melhores que já experimentei, as paisagens, templos e jardins são de um detalhe e perfeição invencíveis e há um contraste enorme entre o lado mais tradicional e conservador e o lado mais excêntrico e espalhafatoso dos japoneses.

Aqui fica o meu itinerário de três semanas para um país que precisa de anos para ser visto e compreendido.

Tóquio, Kamakura e Mt. Fuji (5 dias) 

Como quase todas as pessoas que viajam até ao Japão, a minha primeira paragem foi Tóquio. A cidade dos neons, dos cosplays, dos salões de jogos, mas também de templos importantes, jardins e mercados históricos. Este contraste torna Tóquio numa das cidades mais interessantes do Japão.

Não muito longe estão também Kamakura e o Mt. Fuji, dois locais fascinantes e que podem ser facilmente visitados numa day trip. Se quiseres saber mais sobre Tóquio e o que fazer durante os teus dias nesta zona, lê este post.

Matsuayama (1 dia)

A partir do momento em que aceitei fazer Workaway nas montanhas à volta de Matsuyama o meu plano de viagem começou a moldar-se. Matsuyama não é uma cidade particularmente famosa, mas tem o seu encanto. A caminhada até ao castelo e o castelo em si (o exterior) são muito giros e esta cidade tem um dos onsen mais antigos do Japão.

Se estiveres interessado/a em saber mais sobre como trabalhar em troco de alojamento e comida, escrevi um post sobre o Workaway, uma plataforma que te permite fazer isso.

Takamatsu (1 dia)

Depois de 10 dias a trabalhar, estava na altura de voltar à estrada. De Matsuyama apanhei o comboio até Takamatsu e lá fiquei duas noites. No primeiro dia vi o jardim Ritsurin Koren, para mim, o melhor jardim do Japão. É simplesmente encantador. No Verão, tem uma infinidade de tons de verde e todo o jardim está arranjado com uma precisão só atingível no Japão.

Por alguma razão, Takamatsu foi uma das minhas cidades preferidas. Não é das mais bonitas ou animadas, mas tem boa comida, pessoas simpáticas e um ambiente muito descontraído. E tem o mar ao lado!

Hostel: Traditional Apartment, muito bom e o dono tem óptimos conselhos sobre os melhores restaurantes da zona.

Naoshina e Teshima (1 dia cada)

As duas ilhas mais criativas do Japão estão a uma viagem de ferry de Takamatsu. Naoshima e Teshima têm dois dos melhores museus do mundo e acho que são dos sítios mais relevantes do Japão. Tudo sobre estes refúgios de arte neste post.

Postcard i bought in Teshima Art Museum

Okayama (1 dia)

Decidi fazer uma paragem em Okayama enquanto viajava entre Naoshima e Kyoto. Infelizmente não foi uma cidade que me tenha agradado particularmente, não encontrei nenhum sítio de cortar a respiração, mas ao menos tem um jardim – Korakuen – e castelo bonitos! Se tiveres a viajar de comboio facilmente consegues evitar Okayama porque as viagens são muito mais rápidas e não precisas de fazer uma pausa.

Hostel: Kamp. É caro, mas as condições são muito boas e é muito perto da estação de comboios/autocarro.

Kyoto e Arashiyama (4 dias)

A cidade mais querida do Japão. Ao contrário de todas as outras cidades, aqui os turistas dominam a paisagem! Se em Takamatsu, Matsuyama e Okayama cada vez que via um western, ficava a olhar, em Kyoto é mais o contrário… Mas há uma razão para tal, esta cidade é impressionante. Tem os templos mais incríveis, os bairros antigos mais bonitos e uma das culturas gastronómicas mais divertidas (izakaya).

Tudo o que vi e vivi em Kyoto e Arashiyama, neste post!

Kanazawa (2 dias)

Kanazawa foi a cidade que mais me surpreendeu no Japão. É muito menos turística do que Kyoto e muito mais calma do que Tóquio, mas tem alguns dos bairros históricos mais bem preservados do país. Para além disso, a cidade em si é muito agradável, é famosa pelo seu peixe e comer sushi aqui é obrigatório. O jardim Kenrokuen está no pódio dos melhores jardins Japoneses, acompanhado dos já referidos jardins de Okayama e Takamatsu.

No terceiro domingo de cada mês há um café onde vários Japoneses se reúnem para ensinarem turistas que passam na rua como fazer Origami. Eu fui “raptada” por duas senhoras com os seus 60/70 anos, super fofinhas, que me ensinaram a fazer cisnes, chapéus e peixinhos! É no mesmo edifício do “City Town Hall”.

Hostel: Good Neighbors Hostel, um dos melhores hostels da minha vida. Para além das condições impecáveis, todas as noites oferecem vinho de ameixa (plum wine) a todos os hospedes, o que faz com que toda a gente se reúna a conversar e beber, mesmo que o “vinho” não seja grande coisa.

Nagano e Matsumoto (1 dia)

Nagano é uma cidade muito pequenina, mas com o seu charme. Se fores lá só por causa do Castelo de Matsumoto, mais vale ires directamente para Matsumoto. Mas se tiveres interesse em ver a área há um templo giro e alguns dos melhores restaurantes que experimentei no Japão. Esta zona é particularmente concorrida no inverno por causa das suas montanhas (perfeitas para esquiar), vida selvagem (macacos das neves) e pelas vilas de Narai – Juku, Nagiso e Shirakawa. Infelizmente não tinha nem tempo nem dinheiro para ver tudo.

Matsumoto em si também é pequeno, vê-se em meio-dia. Tem o castelo mais famoso do Japão, que é impressionante por fora, mas por dentro não tem nada (como todos os castelos do Japão). Surpreendentemente, o que mais gostei em Matsumoto foi o City Museum of Art que tem uma fantástica exibição da artista Kusama Yayoi. Vale mesmo a pena!

Castelo de Matsumoto
Museu de Arte da Cidade de Matsumoto

Hostel: 1166 Backpackers em Nagono. Hostel muito simples, mas com um ambiente espectacular.

Osaka (2/3 dias)

Apesar da minha recomendação ser passar 2 ou 3 dias em Osaka, eu na verdade passei lá uma noite! Tinha planeado 3 noites, incluindo ir a Nara (local famoso pelos seus veados e templos) e ver a cidade em geral, mas depois mudei de ideias e decidi ir para Wakayama à última hora.

Por isso, o que é que eu aconselho a fazer em Osaka? O Pub Crawl de Osaka! Por coincidência um amigo meu alemão estava lá ao mesmo tempo que eu e disse-me que tínhamos que ir fazer este pub crawl. Gostei imenso, é óptimo para conhecer pessoas e são umas horas bem passadas em Osaka, uma cidade que vive da noite e se ilumina com os seus neons!


Aquele sorriso mesmo sóbrio…

Hostel: Backpackers Hotel Toyo Osaka, um dos hostels mais baratos do Japão (Aleluia!) e tem quartos privados! Perfeito!

Wakayama: Tanabe, Shirahama, Nachisan (3 dias)

E foi em Wakayama que acabei a minha viagem. Por falta de planeamento não consegui ver tudo o que queria, ou fazer todas as caminhadas (também por causa do calor), mas mesmo assim, a nível natural, esta parte do Japão é incrível. Aqui estão os meus sítios preferidos:

Sakinoyu Onsen, Shirahama: Durante um mês inteiro ouvi maravilhas sobre os onsen japoneses, mas nunca tive muita curiosidade em ir a um. Despir-me integralmente para tomar um banho quente com outras pessoas é um conceito um bocado estranho para mim. Mas quando fui ao posto turístico de Tanabe e me falaram neste onsen que é em cima da praia, conseguiram despertar a minha atenção. E lá fui. No início é um bocado estranho de facto, e o mais engraçado é que os japoneses vão para o onsen 20 ou 30 minutos e depois vão embora. Eu cá, como tive que pagar, achei por bem ficar lá horas mesmo que não seja muito saudável. Este onsen vale mesmo a pena, é o sítio perfeito para relaxar.

Nachisan: Esta é uma zona de peregrinação muito antiga no Japão e por isso tem várias caminhadas, templos e onsen para visitar. Para planeares a tua viagem a esta zona aconselho-te a comprar um guia Lonely Planet ou algo do género uma vez que a informação online é escassa e complicada. Também podes ir ao ponto de turismo de Tanabe, considerado o melhor da zona. Acredita, eles têm todos horários e mapas possíveis. Devido ao pouco tempo que tinha, decidi apanhar o primeiro comboio da manhã de Tanabe até Kii-Katsuura, a viagem é bastante bonita, pela costa. Depois, apanhei o autocarro em direcção a Daimon Kara, uma escada de 267 degraus de pedra rodeada de uma floresta verdejante que lhe confere uma atmosfera muito mística. Se continuares sempre a subir vais encontrar o Kumano Nachi Taisha (templo Kumano) e a Seiganto-ji (Pagoda), que em conjunto com as cascatas, resulta numa das paisagens mais bonitas do Japão. Ao descer, podes passar pela “parte de baixo” das Nachi Falls, umas das cascatas mais famosas do Japão, com 133 metros de altura!

Três semanas no Japão passam num instante. Num país com uma riqueza tão grande a nível de património cultural e paisagístico é difícil escolher o que ver e o que deixar de fora. O meu conselho é planeia, planeia, planeia! Lê blogs, livros, vê roteiros e adapta ao teu gosto. É um país ao qual adoraria voltar, desta vez no Outono ou Primavera, principalmente para ver as aldeias mais escondidas. Mas isso fica para a próxima 😉

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