Uma maratona tuga por Kashan

Ao contrário dos franceses e alemães, que quase fogem uns dos outros quando se cruzam em viagem, eu adoro conhecer os portugueses que percorrem este mundo.

E em Teerão o Pina (o meu amigo) conheceu dois portugueses que estavam a fazer uma volta pelo Irão mais ou menos como nós. Encontrámo-nos por breves momentos em Shiraz e em Isfahan ficámos no mesmo hostel. No último dia da viagem os nossos planos finalmente coincidiram e fomos ver Kashan juntos.

Quatro horas, uma cidade

Tínhamos pouco tempo para ver Kashan e um plano mais ou menos definido. Começámos pelo bazar, particularmente famoso pela sua clarabóia espectacularmente trabalhada.

Tinham-me dito que devia ver o telhado do bazar mas que este só era acessível através das lojas dos vendedores. Supostamente os vendedores convidam os turistas que andam a visitar as lojas para subir de vez em quando, mas como não tínhamos tempo para isso perguntámos a um homem que veio falar connosco como é que se ia lá a cima.

Claro que acabámos por ter que lhe dar uns trocos (se bem que ele nos pediu tipo 5€ ou assim!) mas vimos o rooftop! Entretanto as nossas barrigas já estavam a dar horas e fomos almoçar no Madarbozorg Traditional Restaurant. E foi a “atracção” de Kashan que nos levou mais tempo a ver comer. Ao menos estava bom.

Depois tivemos mesmo que acelerar o paço da maratona. A primeira paragem pós almoço foi a Agha Bozorg Mosque, a mais bonita da cidade, que é também uma escola de teologia: uma madrassa.

Assim que acabámos fomos a correr para a Tabatabaeis House. Kashan é conhecida no Irão pelas suas casas, que é como quem diz, palacetes. Existem vários, todos próximos uns dos outros, e são um regalo para os olhos! A arquitectura, a decoração e os jardins… tudo combina lindamente.

Na recepção reparámos que existia um bilhete combinado para ver a Tabatabaeis House + Sultan Amir Ahmad Bathhouse + Abbāsi House por 350 000 rials. O preço individual de cada uma das atracções é de 150 000 rials. Olhámos para o relógio, olhámos para o preço, olhámos novamente para o relógio e “challenge accepted”.

Fizemos um sprint e conseguimos ver tudo numa hora. Acho que vale bastante a pena comprar o “pack” até porque vimos a Abbāsi House que provavelmente não veríamos doutra forma.

O hamam é mesmo espectacular. Tanto o telhado como o seu interior.

Hum… bela metáfora!



E foi aqui que dissemos adeus aos nossos tugas e seguimos em modo VIP para Qom. Como nessa noite tínhamos que estar no aeroporto de Teerão decidimos arranjar um transporte privado (através da TAP Persia) que nos levou de Kashan até Qom e de Qom até ao aeroporto.

O Manel e a Teresa

Mais sagrado não há

Queríamos para em Qom porque é uma das mais sagradas cidades do Irão com um santuário muito famoso, o Fatima È Massummeh Shrine. Tipo a nossa Fátima em Portugal!

Quando lá chegámos eu tive que ir para a entrada das mulheres, onde o nosso vestuário é cuidadosamente controlado e lancei logo o pânico! Não estava a vestir um chador. Pelos vistos eles não estão muito habituados a turistas estrangeiros.

Lá comuniquei que precisava que me arranjassem um e por gestos disseram-me para esperar sentada. Esperei, esperei, perguntaram-me de onde é que era e onde é que estava o meu marido (isto tudo em iraniano, só percebi “Turkey” e “husband”) ao que eu respondi “lá fora”. Passados uns 10 minutos lá me arranjaram um chador, embrulharam-me e estava “livre” para seguir.

Colecção Outono/Inverno enrolada

Fui ter com os meus guarda-costas que me esperavam com um guia muito muçulmano. Sempre muito composto e com um certo medo de se dirigir a mim, foi falando sobre a história do santuário e da sua arquitectura. Parecia um bocado um robot, mas ao menos isto é tudo grátis!

O santuário em si vale mesmo uma visita, é bastante impressionante. Milhares e milhares de pessoas estavam a chegar porque se aproximava a hora da reza.

E, assim sem darmos por nada, a nossa viagem pelo Irão chegava ao fim. Tínhamos umas 7 horas para matar no aeroporto que preenchemos a comer, escrever, organizar malas, passear por todos os cantos e até jogar à forca.

Foram 10 dias inesquecíveis num país que “não é para ver, é para viver” como dizia o Manel. Apesar das paisagens lindíssimas do deserto, dos padrões dos azulejos e da diferente arquitectura islâmica, o que nos fica do Irão são os sabores, as contradições, a cultura e acima de tudo, as pessoas, claro.

Um país ao qual espero regressar, para explorar as montanhas do norte e as ilhas do sul. Para descobrir a hospitalidade das vilas mais pequenas e os segredos que guardam.

Mas isso fica para a próxima!

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